domingo, 1 de setembro de 2013

Domingo de Sol-idão

Domingo foi o dia mais bonito da semana. Era muita heresia sentir-se tão triste num dia como aquele. Um dia quente, sem nuvens, sem vento, sem nada. Sem nada? Era essa a sensação? Estranho se sentir tão vazio com o sol e o calor preenchendo quase tudo. Mais estranho ainda: preenchido pelo calor, deitado no quintal eu me sentia frio. Congelado. Como se tivessem me esquecido no freezer. Nem o Sol que esquentou minhas roupas (e minha cerveja) conseguiu derreter as enormes camadas de frustração da minha cabeça. Aliás, era camada pra caralho: frustração, inveja, saudade, confusão... Enquanto eu tentava derreter essas camadas de ansiedade, peguei uma foto sua. Tentei sorrir. Acabei tão paralisado quanto aquele seu sorriso na foto. Ou como eu fiquei paralisado ao tirar aquela foto. Ou como eu fiquei quando você partiu: congelado. Mas agora, sem o seu calor, eu fico dias e dias debaixo do Sol pra ver se descongelo.