domingo, 9 de dezembro de 2012

E Pluribus Unum?

Quantas vidas vivemos em uma?
Quantas outras vidas já encontramos?
Quantas vidas desejamos deixar de viver?
Quantas vidas deixamos passar?
Quantas vidas desejamos nunca passar?
Por quantas vidas já passamos?
Por quantas outras vidas passamos todos os dias?
Com quantas (tantas) vidas convivemos?
Com quantas vidas já nos encontramos?
Em quais vidas nos encontramos?
Quais vidas queremos esquecer?
Vida de cão, vidinha mais-ou-menos, vida boa?
Que vida escolhemos e que vida ignoramos?
Que vida foi escolhida para nós? E por nós mesmos?
Vida de luta ou vida esquecida?
Ser lembrado ou desejar sumir para bem longe?
Qual vida sumiu e qual voltou?
De todas as vidas (passadas, presentes, futuras), o que queremos ver?
O que aprendemos?
O que resta aprender?
A vida foi pra frente? A vida não anda? A vida não muda?
De tanta vida, sentimos que nunca vivemos?
Será que no final de tanta vida, teremos resposta?
Será que no final veremos que em tantas vidas, há apenas uma única vida?
Qual é a vida de verdade?
Aliás, o que seria "vida de verdade"?
Será que todas essas vidas são fotos que vemos no final?
Será que todas essas vidas são memórias, lembranças e experiências?

E pluribus unum?

domingo, 18 de novembro de 2012

Night Diving

Mergulhar...
Mergulhar na noite, na noite da alma
Mergulhar no vazio de si mesmo.

Pois somente na sombra da alma,
No próprio vazio é que se esvazia os sentidos
E se sente apenas com o Ser, livre dos sentidos limitados.

E ao sentir, sombra e alma interagem juntos,
Sentem juntos a energia do Universo
Como se fosse um mergulho
Um mergulho na noite da alma...

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Waiting...

Eu não me concentro no livro. Não consigo ouvir musica. Cada trem que passa, por mais barulhento que seja, não passa de um parco ruído, distração efêmera. As pessoas que vem e vão, que falam alto, que encaram, que respiram e andam com pressa, que também esperam não são nada mais que detalhes da paisagem. Nem todo o ódio, podridão e vazio de tudo o que está a minha volta tiram ou atrapalham essa ansiedade. Só consigo olhar para uma direção, mal respiro! O calor infernal que faz nesse paletó, o suor da mãos, o tremor dos lábios, os olhos atentos e arregalados, o sorriso bobo e nervoso, o pensamento focado em uma só coisa... Cada batida do coração, cada segundo que se arrasta parece uma eternidade, cada momento de espera aperta como uma tortura pra quem aguarda por seu sorriso! Pra quem aguarda ansioso por teus carinhos, teus olhares distraídos, teu sorriso simples, teus lábios tão perfeitamente desenhados, teu corpo moreno, tuas curvas que parecem ter sido projetadas especialmente para meus braços ... Toda uma tormenta de espera apenas para tê-la por alguns instantes, mas instantes tão intensos e eternos como uma batida do coração...

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Crossing Alleys

A vida é feita de escolhas...

Bom, o clichê é proporcional ao peso dessa frase. Ao peso da incerteza que se apresenta tão intensa na estrada a seguir. Da duvida que cerca os sonhos, os planos e até cada pequeno momento onde "esquerda" e "direita" podem representar um estrago futuro.

Peso que vai se tornando insuportável ao ver cada plano perdido, cada escolha onde o resultado é totalmente diferente (e doloroso) do que o esperado. Palavras que fizeram cada reencontro ser apenas uma pontada no coração e um sorriso tímido.

Bom, talvez isso não seja novo para mim nem para ninguém. Afinal, quem nunca errou uma rua, pegou um ônibus errado, esqueceu de contar o recado ou deixou um grande amor passar?

Talvez tudo isso não importe tanto... Talvez seja apenas bobagem me importar com essa sensação... Talvez uma lição que não aprendi...

No final, além das lágrimas, o que resta são os erros, as lembranças, os olhares distantes, as pontadas no coração, os sorrisos tímidos e uma pequena sensação de vazio...

3x10

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Blank Eyes

Uma coisa interessante que reparei enquanto observava as pessoas nos transportes públicos, que parecem objetos inanimados pelas escadas e corredores, é o olhar.

Olhar de resignação, sem brilho, sem luta, sem esperança. Olhares culpados, como se sorrisos fossem proibidos e a felicidade é uma montanha de direito e um forte desejo de "sumir daqui".

Além dos olhares apáticos, dos rostos duros e abatidos existe musica no ouvido de todos. Porém parece que a fria e cinza infelicidade da cidade os deixa totalmente imunes a esse tipo de magia. Há musica, mas não há canto. Há musica, mas não há dança. Há musica, mas parece que sua essência se perdeu há muito tempo. Há musica, mas não parece mudar nem um pouco os olhares...

Para experimentar isso, basta ligar o radio ou passear pelas ruas. Não existe mais a magia das cordas e nem a energia dos sopros, apenas barulhos repetitivos. Apenas se ouve barulhos cansativos, programados por maquinas e com uma voz maquiada cantando versos de como se deve aproveitar a vida e se divertir com abusos e irresponsabilidade. Talvez seja por isso que nos sentimos tão resignados, cansados e pensativos nas escadas rolantes.

Esperamos passivamente pela sexta-feira, para ir para a balada, para nos divertimos do modo que nos foi ensinado. Para que no resto da semana nos sintamos anestesiados e abatidos, reclamando da segunda-feira. E, por culpa deste comportamento, ignoramos a magia a nossa volta. Ignoramos a luz que irradia do alto, ignoramos o ar fresco que raramente encontramos, ignoramos o agradecimento que devemos por estar aqui mais um dia e mais uma chance fazer acontecer!

Estamos tão distraídos e cansados que ignoramos até a magia que nos é soprada aos ouvidos pelos fones que insistimos em colocar e ignorar...

Fake Blindness

Não somos cegos. Nunca fomos. Nossa vinda a esse plano é que foi feita como obstáculo, como uma lição dura porém de grandes aprendizados.

Não somos cegos. É esse mundo que nos mostra tanta cor, tanto brilho, tantas coisas à nossa frente que não conseguimos enxergar o que realmente necessitamos. Nos deixamos deslumbrar por essas distrações e deixamos de enxergar a nós mesmos, deixamos de ver para aprender.

"Mas aprender o quê? Quem disse o que eu realmente devo aprender?"

Na verdade, todo aprendizado foi construído em nossas várias existências, várias experiências. Tudo o que sabemos está inato, está no fundo de nosso inconsciente como uma reserva de conhecimentos e reflexos. Além disso, tudo o que vemos, lemos e ouvimos agrega conhecimento. Porém, não basta conhecer. Existe uma grande diferença entre conhecer o caminho e trilhar o caminho...

Talvez já sabemos tudo o que devemos saber, temos ciência de tudo o que acontece ao nosso redor. Afinal, estamos na era da informação...

O que realmente nos falta é vivenciar, experimentar! Abandonar essa tonelada de informações e impressões inúteis e descobrir por si mesmo o quão maravilhosa e única pode ser a experiência da vida (e de todas as vidas pelas quais passamos). Afinal, não somos cegos. Só não conseguimos enxergar o que interessa por enquanto...

domingo, 2 de setembro de 2012

Apenas Cansado...

Cansado... é "cansado" talvez seja apropriado...

É... Cansado...
...de olhar pra frente e não conseguir enxergar, por maior que seja o esforço.
...de caminhar sem saber pra onde ir e por onde ir.
...de pensar tanto que tal modo que se sofra uma enxaqueca maldita, e ainda não encontrar os resultados desejados.
...de ver que não há algum sentido em qualquer coisa que faça (e geralmente são suas idéias malucas que acabam com toda o sentimento e sentido de qualquer ação).
...de sentir a vida ser tão vazia, e o vazio mesmo sendo imaterial corta como uma lâmina.
...de saber que com tudo isso acontecendo, a vida não para.

Não para. O mundo não vai parar pra você descer.
E é assim que continua:
Cada vez que você fica frustrado, você sofre.
Quanto mais frustração, erros, ou simplesmente um gracejo do azar, você cai.
A dor te deixa cada vez mais frustrado, a frustração causa a dor.
E a única coisa que me deixa irritado é ver que a única coisa que eu consigo começar e terminar são textos miseráveis, com tons de pedido de socorro. Gritos de Socorro.

Mas ninguém ouve. E o mundo não para.


August/2010

O Corredor

Eu acordei, de repente.
A Primeira coisa que vi foi um anjo, lindo.
Seu olhar era tão belo, era acolhedor, maternal.
Após isso, me deixaram numa sala, cuja saída havia um véu.
Havia muita gente na sala, mas eu me sentia perdido ali no meio.
Eu sabia que havia algo além do véu, mas parecia ser tão errado!
Tomei coragem, e passei. De início me senti bem, havia outra sala.
Era menor, havia outras pessoas também, mas não era isso o que eu queria.
Achei, então, um corredor. Era quase como um túnel, mas dourado e iluminado no começo.
Enquanto eu prosseguia, tudo ia escurecendo e eu me sentia cada vez mais fraco.
A cada passo que dava, o ar ficava pesado, era tudo mais escuro.
Eu sentia que estava definhando.
Era tão dificil achar uma saída! Eu não conseguia me mover.
Olhava para os lados e só exergava memórias que me torturavam, espelhos que mostravam outras faces. As que eu queria deixar pra trás, esquecer, esconder.
As vezes, olhando para trás, no começo de tudo, eu via o anjo reluzir.
Mas ele estava tão distante.
Caí, não tinha mais forças, nem para prosseguir e nem para voltar.
Fiquei. No chão. Caído.
E assim estou. Largado, torturando-me com imagens e lembranças.
A única coisa que me conforta, é o brilho do anjo, mas, oh, ele se torna cada vez mas distante...

July/2010

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Preparation

Uma noite de sono.
Um bom banho.
Um bom café-da-manhã.
Uma camisa cara.
Um bonito terno.
Uma gravata de seda.
Um perfume caro.
Um relógio de ouro.
A chave do carro.
"Porra!!"
A gravata aperta.
Ele sente o atraso.
Ele sente o desespero.
Ele sente a escravidão.
Apertando no pescoço.
Apertando o espírito.
Por muito tempo ele sente isso.
Há anos na mesma profissão.
Há anos repetindo o mesmo ritual.
O mesmo processo.
O mesmo e meticuloso nó de gravata.
Há anos na mesma prisão.
Mesma casa, mesmos amigos, mesmas distrações.

"Não mais..."

Desta vez ele sabe.
Sempre soube que não precisava disso.
Não há mais pressa.
Não há mais pressão.
"Nunca vou deixar de ser metódico..."
Deixa de sentir o peso da gravata e passa a sentir o peso do fim.
Sente a rigidez do ferro.
A rigidez de seus dedos.
Um cheiro de pólvora.
Um ar mais gelado.
Respira fundo...
Pequenos respingos no vidro.
Já não sente peso.
Já não sente a gravata.
Talvez olhe para trás e sinta arrependimento.

Até no último de seus dias, viveu como se fosse apenas o fim de mais um expediente.
Sua mortalha preservou-se tão elegante e sua vida preservou-se tão vazia, como há 20 anos atrás, como no começo do fim.

sábado, 21 de julho de 2012

Porção Única

Ou "Feeling like Durden"

"O TODO é indivisível" - O Caibalion


Estranho, somos todos partes desse Todo e mesmo assim nos dividimos em classe, cor, credo e toda sorte de classificação possível.

Mas o ponto agora não é a humanidade, e sim o humano. Por que será que me divido tanto? Por que esse ser uma pessoa diferente por vez? Um no trabalho, um na faculdade, outro no bar e outro na família...
Por que diabos não consigo me encontrar!? Não consigo ser eu mesmo nem por um momento! Tantas relações e relacionamentos diferentes e acabo sempre levantando uma persona para cada coisa e acabo por não ter uma única pista de quem sou de verdade!

Os poucos momentos que tenho para mim mesmo transformo em diversão, estudo, musica e... Nunca me vejo, não tenho sequer segundos para mim! O pior, eu faço com que ninguém tenha segundos para mim! Nem para o mínimo dos meus sentimentos ou realizações.

Eu escuto, ajo, comento, ajudo e tudo isso no automático, guiado pelas personas que constantemente crio.

Meu maior medo talvez sejam dois:
E quando eu vencer, quem vai estar lá?
E quando eu cair, quando eu chorar, quando quiser comemorar ou simplesmente abraçar? Será que vai ser a pessoa que alguma persona minha irá chamar ou estar relacionada?

E o segundo, quando será que, nessas mil personalidades diferentes, eu vou criar uma persona para mim mesmo?

Own Shrine, own Shine

Dizem que o corpo é o templo que recebe nosso Espírito, a casa, o novo habitat de uma nova vida.

Muitos se esforçam para mantê-lo puro, imaculado, como se no final houvesse uma recompensa para quem manteve a casa limpa e fechada. Uma casa fechada contra toda chuva e todo vento, mas que deixou de ver a luz do Sol, de sentir a brisa da estação chegou e todos os amores que tantas Primaveras podem proporcionar.

Por outro lado, convivi com muitos que nem ao menos perceberam a sujeira que estava sua casa! Como se a cada chuva fosse uma tempestade tórrida que alaga cada comodo. Como se cada dia de Sol fosse um verão intenso. Como se a cada dia o alicerce balançasse mais e mais. Como eu já vi e vivi...

Hoje a postura é diferente. Percebi que esta casa é o que me faz ver e descobrir o universo em qual estou, é o frasco que guarda minha essência, meu sentir. É o veículo que me transporta pela realidade que percebo agora.

Hoje faço de minha casa, fortaleza. De meu templo, altar para minha própria fração do Divino. De meu interior, um espaço para me estudar, me conhecer, me elevar e aprender. Nas paredes, arte, poesia, musica e sangue.

O que se vê em meu exterior é apenas e exatamente isso, basta que tenhamos os primas certos para enxergar.
Isto serve tanto para mim, quanto para você e para todo o Universo.

Oração Matinal

Amanheço hoje
Com as forças dos Céus,
Luz do Sol,
Brilho da Lua,
Esplendor do Fogo,
Resplendor das Chamas,
Velocidade do Vento,
Rapidez do Raio,
Firmeza da Rocha,
Estabilidade da Terra,
Profundidade do Mar.

Amanheço hoje
Pela força secreta e
Divina que me guia.

Que assim seja...


Ou então:

Look Within

Procuro todos os dias, no reflexo deste rosto cansado: direção, correção, elevação. Nada encontro.
Algo me diz que no fundo dos meus próprios olhos, além desse abismo de vaidade, sujeira e ossos, lá estou Eu, onde a verdadeira felicidade reside.
Enquanto olho para o abismo sinto o peso de tudo isso, o peso dessa prisão de carne, de toda essa sujeira que nos envolve, da podridão que as faltas humanas exalam. Essa insanidade que rege o mundo resulta naquela pequena voz que berra no seu íntimo toda vez que este peso supracitado torna-se insuportável. Aquela voz que diz o quanto você deve ser bonito (dentro dos padrões citados por esse monstro a que chamamos de sociedade), o quanto você deve ser rico, o que você deve possuir e o quanto você é incompetente por não conseguir nada disso.
é tudo matéria. Simplesmente pueril. Quanto mais matéria, mais peso para as correntes que nos impedem de alcançar a verdadeira graça, a felicidade plena, a vida eterna que não foi prometida por um velho guiado por ganância, a verdadeira ventura.
E todos os dias eu vivo para combater esses demônios, os meus demônios. Os vejo em cada vez que olho para o abismo, para dentro de mim. E eles olham de volta, o abismo olha de volta. Eles sabem exatamente onde estou, sabem em que pedra posso tropeçar, e é aí que a voz do ego grita. E bem alto.
Em meio tal tormenta só peço a Deus a paciência e a força para superar tal abismo. Mas como amarrar o ego, com correntes tão pesadas atando minhas mãos?

Against Pride and Bones

Acho que sei o porque de andar com o peito sempre estufado, "pra frente"...
Acho que isso acontece por causa da vontade do coração:

Sua vontade de voar, fugir,
Encontrar outro lugar, seu próprio lugar...

É como se cada batida, cada fôlego o fizesse ir de encontro as costelas,
Sua prisão de ossos e músculos,
Sua barreira feita de carne e ego...

E vai de encontro com tal força, tal vontade que tento ceder,
Tento conceder sua liberdade...

E mesmo a matéria sendo tão densa,
A Vontade do coração se faz mais forte e,
Não podendo este romper sua prisão,
A abala por inteiro e a guia em seu caminho.