Uma coisa interessante que reparei enquanto observava as pessoas nos transportes públicos, que parecem objetos inanimados pelas escadas e corredores, é o olhar.
Olhar de resignação, sem brilho, sem luta, sem esperança.
Olhares culpados, como se sorrisos fossem proibidos e a felicidade é uma montanha de direito e um forte desejo de "sumir daqui".
Além dos olhares apáticos, dos rostos duros e abatidos existe musica no ouvido de todos. Porém parece que a fria e cinza infelicidade da cidade os deixa totalmente imunes a esse tipo de magia.
Há musica, mas não há canto. Há musica, mas não há dança. Há musica, mas parece que sua essência se perdeu há muito tempo. Há musica, mas não parece mudar nem um pouco os olhares...
Para experimentar isso, basta ligar o radio ou passear pelas ruas. Não existe mais a magia das cordas e nem a energia dos sopros, apenas barulhos repetitivos. Apenas se ouve barulhos cansativos, programados por maquinas e com uma voz maquiada cantando versos de como se deve aproveitar a vida e se divertir com abusos e irresponsabilidade.
Talvez seja por isso que nos sentimos tão resignados, cansados e pensativos nas escadas rolantes.
Esperamos passivamente pela sexta-feira, para ir para a balada, para nos divertimos do modo que nos foi ensinado. Para que no resto da semana nos sintamos anestesiados e abatidos, reclamando da segunda-feira.
E, por culpa deste comportamento, ignoramos a magia a nossa volta. Ignoramos a luz que irradia do alto, ignoramos o ar fresco que raramente encontramos, ignoramos o agradecimento que devemos por estar aqui mais um dia e mais uma chance fazer acontecer!
Estamos tão distraídos e cansados que ignoramos até a magia que nos é soprada aos ouvidos pelos fones que insistimos em colocar e ignorar...
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