Uma coisa interessante que reparei enquanto observava as pessoas nos transportes públicos, que parecem objetos inanimados pelas escadas e corredores, é o olhar.
Olhar de resignação, sem brilho, sem luta, sem esperança.
Olhares culpados, como se sorrisos fossem proibidos e a felicidade é uma montanha de direito e um forte desejo de "sumir daqui".
Além dos olhares apáticos, dos rostos duros e abatidos existe musica no ouvido de todos. Porém parece que a fria e cinza infelicidade da cidade os deixa totalmente imunes a esse tipo de magia.
Há musica, mas não há canto. Há musica, mas não há dança. Há musica, mas parece que sua essência se perdeu há muito tempo. Há musica, mas não parece mudar nem um pouco os olhares...
Para experimentar isso, basta ligar o radio ou passear pelas ruas. Não existe mais a magia das cordas e nem a energia dos sopros, apenas barulhos repetitivos. Apenas se ouve barulhos cansativos, programados por maquinas e com uma voz maquiada cantando versos de como se deve aproveitar a vida e se divertir com abusos e irresponsabilidade.
Talvez seja por isso que nos sentimos tão resignados, cansados e pensativos nas escadas rolantes.
Esperamos passivamente pela sexta-feira, para ir para a balada, para nos divertimos do modo que nos foi ensinado. Para que no resto da semana nos sintamos anestesiados e abatidos, reclamando da segunda-feira.
E, por culpa deste comportamento, ignoramos a magia a nossa volta. Ignoramos a luz que irradia do alto, ignoramos o ar fresco que raramente encontramos, ignoramos o agradecimento que devemos por estar aqui mais um dia e mais uma chance fazer acontecer!
Estamos tão distraídos e cansados que ignoramos até a magia que nos é soprada aos ouvidos pelos fones que insistimos em colocar e ignorar...
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Fake Blindness
Não somos cegos. Nunca fomos.
Nossa vinda a esse plano é que foi feita como obstáculo, como uma lição dura porém de grandes aprendizados.
Não somos cegos. É esse mundo que nos mostra tanta cor, tanto brilho, tantas coisas à nossa frente que não conseguimos enxergar o que realmente necessitamos. Nos deixamos deslumbrar por essas distrações e deixamos de enxergar a nós mesmos, deixamos de ver para aprender.
Na verdade, todo aprendizado foi construído em nossas várias existências, várias experiências. Tudo o que sabemos está inato, está no fundo de nosso inconsciente como uma reserva de conhecimentos e reflexos. Além disso, tudo o que vemos, lemos e ouvimos agrega conhecimento. Porém, não basta conhecer. Existe uma grande diferença entre conhecer o caminho e trilhar o caminho...
Talvez já sabemos tudo o que devemos saber, temos ciência de tudo o que acontece ao nosso redor. Afinal, estamos na era da informação...
O que realmente nos falta é vivenciar, experimentar! Abandonar essa tonelada de informações e impressões inúteis e descobrir por si mesmo o quão maravilhosa e única pode ser a experiência da vida (e de todas as vidas pelas quais passamos). Afinal, não somos cegos. Só não conseguimos enxergar o que interessa por enquanto...
Não somos cegos. É esse mundo que nos mostra tanta cor, tanto brilho, tantas coisas à nossa frente que não conseguimos enxergar o que realmente necessitamos. Nos deixamos deslumbrar por essas distrações e deixamos de enxergar a nós mesmos, deixamos de ver para aprender.
"Mas aprender o quê? Quem disse o que eu realmente devo aprender?"
Na verdade, todo aprendizado foi construído em nossas várias existências, várias experiências. Tudo o que sabemos está inato, está no fundo de nosso inconsciente como uma reserva de conhecimentos e reflexos. Além disso, tudo o que vemos, lemos e ouvimos agrega conhecimento. Porém, não basta conhecer. Existe uma grande diferença entre conhecer o caminho e trilhar o caminho...
Talvez já sabemos tudo o que devemos saber, temos ciência de tudo o que acontece ao nosso redor. Afinal, estamos na era da informação...
O que realmente nos falta é vivenciar, experimentar! Abandonar essa tonelada de informações e impressões inúteis e descobrir por si mesmo o quão maravilhosa e única pode ser a experiência da vida (e de todas as vidas pelas quais passamos). Afinal, não somos cegos. Só não conseguimos enxergar o que interessa por enquanto...
domingo, 2 de setembro de 2012
Apenas Cansado...
Cansado... é "cansado" talvez seja apropriado...
É... Cansado...
...de olhar pra frente e não conseguir enxergar, por maior que seja o esforço.
...de caminhar sem saber pra onde ir e por onde ir.
...de pensar tanto que tal modo que se sofra uma enxaqueca maldita, e ainda não encontrar os resultados desejados.
...de ver que não há algum sentido em qualquer coisa que faça (e geralmente são suas idéias malucas que acabam com toda o sentimento e sentido de qualquer ação).
...de sentir a vida ser tão vazia, e o vazio mesmo sendo imaterial corta como uma lâmina.
...de saber que com tudo isso acontecendo, a vida não para.
Não para. O mundo não vai parar pra você descer.
E é assim que continua:
Cada vez que você fica frustrado, você sofre.
Quanto mais frustração, erros, ou simplesmente um gracejo do azar, você cai.
A dor te deixa cada vez mais frustrado, a frustração causa a dor.
E a única coisa que me deixa irritado é ver que a única coisa que eu consigo começar e terminar são textos miseráveis, com tons de pedido de socorro. Gritos de Socorro.
Mas ninguém ouve. E o mundo não para.
August/2010
É... Cansado...
...de olhar pra frente e não conseguir enxergar, por maior que seja o esforço.
...de caminhar sem saber pra onde ir e por onde ir.
...de pensar tanto que tal modo que se sofra uma enxaqueca maldita, e ainda não encontrar os resultados desejados.
...de ver que não há algum sentido em qualquer coisa que faça (e geralmente são suas idéias malucas que acabam com toda o sentimento e sentido de qualquer ação).
...de sentir a vida ser tão vazia, e o vazio mesmo sendo imaterial corta como uma lâmina.
...de saber que com tudo isso acontecendo, a vida não para.
Não para. O mundo não vai parar pra você descer.
E é assim que continua:
Cada vez que você fica frustrado, você sofre.
Quanto mais frustração, erros, ou simplesmente um gracejo do azar, você cai.
A dor te deixa cada vez mais frustrado, a frustração causa a dor.
E a única coisa que me deixa irritado é ver que a única coisa que eu consigo começar e terminar são textos miseráveis, com tons de pedido de socorro. Gritos de Socorro.
Mas ninguém ouve. E o mundo não para.
August/2010
O Corredor
Eu acordei, de repente.
A Primeira coisa que vi foi um anjo, lindo.
Seu olhar era tão belo, era acolhedor, maternal.
Após isso, me deixaram numa sala, cuja saída havia um véu.
Havia muita gente na sala, mas eu me sentia perdido ali no meio.
Eu sabia que havia algo além do véu, mas parecia ser tão errado!
Tomei coragem, e passei. De início me senti bem, havia outra sala.
Era menor, havia outras pessoas também, mas não era isso o que eu queria.
Achei, então, um corredor. Era quase como um túnel, mas dourado e iluminado no começo.
Enquanto eu prosseguia, tudo ia escurecendo e eu me sentia cada vez mais fraco.
A cada passo que dava, o ar ficava pesado, era tudo mais escuro.
Eu sentia que estava definhando.
Era tão dificil achar uma saída! Eu não conseguia me mover.
Olhava para os lados e só exergava memórias que me torturavam, espelhos que mostravam outras faces. As que eu queria deixar pra trás, esquecer, esconder.
As vezes, olhando para trás, no começo de tudo, eu via o anjo reluzir.
Mas ele estava tão distante.
Caí, não tinha mais forças, nem para prosseguir e nem para voltar.
Fiquei. No chão. Caído.
E assim estou. Largado, torturando-me com imagens e lembranças.
A única coisa que me conforta, é o brilho do anjo, mas, oh, ele se torna cada vez mas distante...
July/2010
A Primeira coisa que vi foi um anjo, lindo.
Seu olhar era tão belo, era acolhedor, maternal.
Após isso, me deixaram numa sala, cuja saída havia um véu.
Havia muita gente na sala, mas eu me sentia perdido ali no meio.
Eu sabia que havia algo além do véu, mas parecia ser tão errado!
Tomei coragem, e passei. De início me senti bem, havia outra sala.
Era menor, havia outras pessoas também, mas não era isso o que eu queria.
Achei, então, um corredor. Era quase como um túnel, mas dourado e iluminado no começo.
Enquanto eu prosseguia, tudo ia escurecendo e eu me sentia cada vez mais fraco.
A cada passo que dava, o ar ficava pesado, era tudo mais escuro.
Eu sentia que estava definhando.
Era tão dificil achar uma saída! Eu não conseguia me mover.
Olhava para os lados e só exergava memórias que me torturavam, espelhos que mostravam outras faces. As que eu queria deixar pra trás, esquecer, esconder.
As vezes, olhando para trás, no começo de tudo, eu via o anjo reluzir.
Mas ele estava tão distante.
Caí, não tinha mais forças, nem para prosseguir e nem para voltar.
Fiquei. No chão. Caído.
E assim estou. Largado, torturando-me com imagens e lembranças.
A única coisa que me conforta, é o brilho do anjo, mas, oh, ele se torna cada vez mas distante...
July/2010
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