Life and Times of an Exhausted Mind
domingo, 1 de setembro de 2013
Domingo de Sol-idão
Domingo foi o dia mais bonito da semana.
Era muita heresia sentir-se tão triste num dia como aquele.
Um dia quente, sem nuvens, sem vento, sem nada.
Sem nada? Era essa a sensação?
Estranho se sentir tão vazio com o sol e o calor preenchendo quase tudo.
Mais estranho ainda: preenchido pelo calor, deitado no quintal eu me sentia frio.
Congelado. Como se tivessem me esquecido no freezer.
Nem o Sol que esquentou minhas roupas (e minha cerveja) conseguiu derreter as enormes camadas de frustração da minha cabeça.
Aliás, era camada pra caralho: frustração, inveja, saudade, confusão...
Enquanto eu tentava derreter essas camadas de ansiedade, peguei uma foto sua.
Tentei sorrir.
Acabei tão paralisado quanto aquele seu sorriso na foto. Ou como eu fiquei paralisado ao tirar aquela foto.
Ou como eu fiquei quando você partiu: congelado.
Mas agora, sem o seu calor, eu fico dias e dias debaixo do Sol pra ver se descongelo.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
...And the Winter Came
O primeiro dia de inverno amanheceu gelado. Amanheceu triste, meio que confuso, como se alguma coisa estivesse faltando... de fato estava.
O primeiro dia de inverno levou, tranquilo como uma brisa, uma parte importante de mim e que eu mal percebia, pouco sentia. Veio como uma frente fria, se fazendo perceber apenas quando se sente o ar mais gelado e o dia vai ficando cinza e escuro.
Mas esse frio que faz agora não se sente na rua ou na janela aberta, não...
É um frio que se sente quando já se está entre os cobertores e que não te deixa descansar, é aquele gelado que se sente quando não há abraço, quando não tem companhia na mesa na hora do café da tarde, quando não tem mais ninguém na varanda quando se chega em casa... O gelado que roupa nenhuma mais pode aquecer, o frio que dói quando a mente não se distrai mais e tudo vira saudade...
O primeiro dia de inverno levou alguém que me amou. Muito. E que eu amava também. Muito...
E agora sinto muito (frio), percebendo o quanto me faz falta o carinho, o respeito e o afeto do mais antigo e mais amigo...
Em memória de Aurelino Antônio Mota
O primeiro dia de inverno levou, tranquilo como uma brisa, uma parte importante de mim e que eu mal percebia, pouco sentia. Veio como uma frente fria, se fazendo perceber apenas quando se sente o ar mais gelado e o dia vai ficando cinza e escuro.
Mas esse frio que faz agora não se sente na rua ou na janela aberta, não...
É um frio que se sente quando já se está entre os cobertores e que não te deixa descansar, é aquele gelado que se sente quando não há abraço, quando não tem companhia na mesa na hora do café da tarde, quando não tem mais ninguém na varanda quando se chega em casa... O gelado que roupa nenhuma mais pode aquecer, o frio que dói quando a mente não se distrai mais e tudo vira saudade...
O primeiro dia de inverno levou alguém que me amou. Muito. E que eu amava também. Muito...
E agora sinto muito (frio), percebendo o quanto me faz falta o carinho, o respeito e o afeto do mais antigo e mais amigo...
Em memória de Aurelino Antônio Mota
domingo, 26 de maio de 2013
Medo do Escuro
Não se tem medo do escuro quando há alguém para abraçar.
Não se tem medo do escuro quando há um caminho a trilhar.
Não se tem medo do escuro quando sentimos apoio.
Não se tem medo do escuro quando sentimos carinho.
Não se tem medo do escuro quando sentimos admiração.
Não se tem medo do escuro quando amamos. E quando amamos no escuro.
Não se tem medo do escuro quando sentimos que a vida é muito maior que tudo... nos menores gestos.
Não se tem medo do escuro quando sentimos que as pessoas que nos são próximas ainda estão ali, próximas.
Não se tem medo do escuro quando nos vemos felizes e a vida se torna luz.
Porque quando esses sentimentos se esvaem, a visão se torna turva.
Não vemos quem nos ama, quem está próximo e quem não nos quer.
Não vemos o caminho a frente, não vemos amor, nem amamos.
Não vemos nada, nem ninguém que possa nos ajudar a enxergar, ou simplesmente nos abraçar.
Quando não se enxerga tudo isso, tudo se torna escuro.
Todos os dias são escuros.
Todos os lugares são escuros.
Todas as pessoas estão sombrias, como se nos fossem fazer mal a qualquer instante.
Escuro.
E dá medo.
Não se tem medo do escuro quando há um caminho a trilhar.
Não se tem medo do escuro quando sentimos apoio.
Não se tem medo do escuro quando sentimos carinho.
Não se tem medo do escuro quando sentimos admiração.
Não se tem medo do escuro quando amamos. E quando amamos no escuro.
Não se tem medo do escuro quando sentimos que a vida é muito maior que tudo... nos menores gestos.
Não se tem medo do escuro quando sentimos que as pessoas que nos são próximas ainda estão ali, próximas.
Não se tem medo do escuro quando nos vemos felizes e a vida se torna luz.
Porque quando esses sentimentos se esvaem, a visão se torna turva.
Não vemos quem nos ama, quem está próximo e quem não nos quer.
Não vemos o caminho a frente, não vemos amor, nem amamos.
Não vemos nada, nem ninguém que possa nos ajudar a enxergar, ou simplesmente nos abraçar.
Quando não se enxerga tudo isso, tudo se torna escuro.
Todos os dias são escuros.
Todos os lugares são escuros.
Todas as pessoas estão sombrias, como se nos fossem fazer mal a qualquer instante.
Escuro.
E dá medo.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Empatia
Veja bem meu bem, não se vê nada
Vemos todos esses outros passarem
Olhares para o vazio
Olhando sempre pra dentro de si,
Mas ali não se enxerga nada
Olhar para dentro, olhar para fora
Para qualquer direção que possamos olhar
Não sabemos enxergar
Destinos se cruzam,
Olhares se desviam
E a luz de verdade
Passa longe de nossas retinas
E o mais dolorido é que,
Na luz dos seus olhos,
Minha verdade não se reflete...
Em nenhuma luz consigo enxergar
Minha verdade,
Minha sina,
Minha menina...
Minha verdade está dentro,
Sei que está dentro
Mas quem é que vai nos ensinar
A enxergar?
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Cela do tempo
Num quarto frio, gélido como o abandono e escuro como a mais enevoada das noites, estou preso, perdido, confuso. As paredes sujas com terra e sangue, com o suor da luta de tantos outros abandonados aqui.
A minha frente, a pequena janela quadrada não permite a entrada de nenhuma luz, nenhum deslumbre do que está além deste buraco: suas pesadas barras e as tábuas fixadas do lado de fora impedem que haja até mesmo a esperança de me libertar.
Além da esperança fugidia, o desespero é também alimentado pela dor criada por observar o que está atrás de mim: a pesada porta de chumbo, como que feita especialmente para cada prisioneiro, com fotografias, cartas e lembranças estraçalhadas por arranhões e pancadas. A pequena fresta por baixo desta porta deixa entrar uma iluminação pífia, suficiente para que seja possível observar a podridão da cela. Nenhum dos prisioneiros se sente melhor ao lembrar do que foi abandonado além da porta de chumbo...
A respiração pesada contribui para o sofrimento, não pelo pesar no peito e nem pelas costelas quebradas, mas pelo fardo que representa. Simplesmente não há como deixar de respirar, deixar de sentir toda escuridão se apossar de seu corpo, de embotar sua mente. Não existe o não-ser, não-existir. Aqui, qualquer tipo de vontade abandona o prisioneiro, até mesmo o fim em si é uma opção difícil de realizar.
Olho em volta e percebo todas as marcas da revolta e da violência, os arranhões e manchas de sangue na parede, os rasgos no colchão deteriorado e com um forte odor de urina, o sanitário destruído, a sanidade destruída, a vida em si trancafiada e dilacerada aos poucos nesta cela imunda.
Fim da esperança, privação da vida, escuridão. Fim do meu tempo?
Não, creio que apenas parei no tempo, preso na própria escuridão...
Além da esperança fugidia, o desespero é também alimentado pela dor criada por observar o que está atrás de mim: a pesada porta de chumbo, como que feita especialmente para cada prisioneiro, com fotografias, cartas e lembranças estraçalhadas por arranhões e pancadas. A pequena fresta por baixo desta porta deixa entrar uma iluminação pífia, suficiente para que seja possível observar a podridão da cela. Nenhum dos prisioneiros se sente melhor ao lembrar do que foi abandonado além da porta de chumbo...
A respiração pesada contribui para o sofrimento, não pelo pesar no peito e nem pelas costelas quebradas, mas pelo fardo que representa. Simplesmente não há como deixar de respirar, deixar de sentir toda escuridão se apossar de seu corpo, de embotar sua mente. Não existe o não-ser, não-existir. Aqui, qualquer tipo de vontade abandona o prisioneiro, até mesmo o fim em si é uma opção difícil de realizar.
Olho em volta e percebo todas as marcas da revolta e da violência, os arranhões e manchas de sangue na parede, os rasgos no colchão deteriorado e com um forte odor de urina, o sanitário destruído, a sanidade destruída, a vida em si trancafiada e dilacerada aos poucos nesta cela imunda.
Fim da esperança, privação da vida, escuridão. Fim do meu tempo?
Não, creio que apenas parei no tempo, preso na própria escuridão...
domingo, 9 de dezembro de 2012
E Pluribus Unum?
Quantas vidas vivemos em uma?
Quantas outras vidas já encontramos?
Quantas vidas desejamos deixar de viver?
Quantas vidas deixamos passar?
Quantas vidas desejamos nunca passar?
Por quantas vidas já passamos?
Por quantas outras vidas passamos todos os dias?
Com quantas (tantas) vidas convivemos?
Com quantas vidas já nos encontramos?
Em quais vidas nos encontramos?
Quais vidas queremos esquecer?
Vida de cão, vidinha mais-ou-menos, vida boa?
Que vida escolhemos e que vida ignoramos?
Que vida foi escolhida para nós? E por nós mesmos?
Vida de luta ou vida esquecida?
Ser lembrado ou desejar sumir para bem longe?
Qual vida sumiu e qual voltou?
De todas as vidas (passadas, presentes, futuras), o que queremos ver?
O que aprendemos?
O que resta aprender?
A vida foi pra frente? A vida não anda? A vida não muda?
De tanta vida, sentimos que nunca vivemos?
Será que no final de tanta vida, teremos resposta?
Será que no final veremos que em tantas vidas, há apenas uma única vida?
Qual é a vida de verdade?
Aliás, o que seria "vida de verdade"?
Será que todas essas vidas são fotos que vemos no final?
Será que todas essas vidas são memórias, lembranças e experiências?
E pluribus unum?
Quantas outras vidas já encontramos?
Quantas vidas desejamos deixar de viver?
Quantas vidas deixamos passar?
Quantas vidas desejamos nunca passar?
Por quantas vidas já passamos?
Por quantas outras vidas passamos todos os dias?
Com quantas (tantas) vidas convivemos?
Com quantas vidas já nos encontramos?
Em quais vidas nos encontramos?
Quais vidas queremos esquecer?
Vida de cão, vidinha mais-ou-menos, vida boa?
Que vida escolhemos e que vida ignoramos?
Que vida foi escolhida para nós? E por nós mesmos?
Vida de luta ou vida esquecida?
Ser lembrado ou desejar sumir para bem longe?
Qual vida sumiu e qual voltou?
De todas as vidas (passadas, presentes, futuras), o que queremos ver?
O que aprendemos?
O que resta aprender?
A vida foi pra frente? A vida não anda? A vida não muda?
De tanta vida, sentimos que nunca vivemos?
Será que no final de tanta vida, teremos resposta?
Será que no final veremos que em tantas vidas, há apenas uma única vida?
Qual é a vida de verdade?
Aliás, o que seria "vida de verdade"?
Será que todas essas vidas são fotos que vemos no final?
Será que todas essas vidas são memórias, lembranças e experiências?
E pluribus unum?
domingo, 18 de novembro de 2012
Night Diving
Mergulhar...
Mergulhar na noite, na noite da alma
Mergulhar no vazio de si mesmo.
Pois somente na sombra da alma,
No próprio vazio é que se esvazia os sentidos
E se sente apenas com o Ser, livre dos sentidos limitados.
E ao sentir, sombra e alma interagem juntos,
Sentem juntos a energia do Universo
Como se fosse um mergulho
Um mergulho na noite da alma...
Mergulhar na noite, na noite da alma
Mergulhar no vazio de si mesmo.
Pois somente na sombra da alma,
No próprio vazio é que se esvazia os sentidos
E se sente apenas com o Ser, livre dos sentidos limitados.
E ao sentir, sombra e alma interagem juntos,
Sentem juntos a energia do Universo
Como se fosse um mergulho
Um mergulho na noite da alma...
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